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O transplante de pâncreas, realizado isoladamente ou de forma combinada ao transplante renal, consolidou-se nas últimas décadas no Brasil como uma modalidade terapêutica altamente eficaz para pacientes com diabetes mellitus tipo 1 instável e nefropatia diabética em estágio terminal, proporcionando a restauração da euglicemia endógena e a interrupção da necessidade de insulinoterapia exógena crônica. Contudo, apesar do expressivo ganho na qualidade de vida e na sobrevida global desses doentes, o acompanhamento clínico de longo prazo tem revelado que a sobrevivência prolongada do enxerto expõe os receptores a uma gama complexa de complicações metabólicas e endócrinas tardias que comprometem o prognóstico funcional. Dentre esses agravos, destacam-se a perda crônica da função da célula beta devido à rejeição imunológica subclínica, a disfunção metabólica induzida pela toxicidade dos esquemas imunossupressores à base de inibidores da calcineurina e corticosteroides, o desenvolvimento de diabetes mellitus pós-transplante (DMPT), distúrbios severos do metabolismo lipídico e ósseo, além de disfunções do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal decorrentes do uso continuado de glicocorticoides. Diante da necessidade premente de consolidar as evidências científicas nacionais sobre as bases fisiopatológicas e as respectivas estratégias de manejo clínico dessas repercussões no cenário epidemiológico brasileiro, este estudo tem como objetivo analisar e sintetizar, por meio de uma revisão sistemática da literatura biomédica e médica brasileira, as complicações endócrinas tardias após o transplante pancreático. Para tanto, realizou-se um levantamento metodológico estruturado guiado pelas recomendações PRISMA nas bases de dados eletrônicas SciELO, LILACS e PubMed por estudos originais nacionais e consensos clínicos brasileiros publicados na última década (2016-2026). Os resultados indicam que a hiperfiltração e a hiperinsulinemia decorrentes do refluxo sistêmico do pâncreas transplantado, associadas ao perfil diabetogênico do tacrolimo, atuam de forma sinérgica no desencadeamento de resistência insulínica, dislipidemia e perda progressiva de massa óssea mineralizada. Conclui-se que o monitoramento laboratorial dinâmico e o rastreamento ativo dessas alterações metabólicas tardias na atenção secundária e terciária do Sistema Único de Saúde, aliados ao ajuste farmacológico individualizado dos esquemas imunossupressores, constituem intervenções preventivas indispensáveis para otimizar a longevidade do enxerto e mitigar o risco cardiovascular crônico dessa população no território nacional.
Bibliografischer Nachweis
Publikationsdaten
- Autor:innen
- Leandro de Castro Santos, Maria Cecilia Castoldi Diavão
- Quelle
- Nursing Edição Brasileira
- Publikation
- 2026-01-01
- Band / Ausgabe
- Nicht angegeben
- Seiten
- Nicht angegeben
- ISSN / ISBN
- 2675-049X, 1415-8264
- Zitationen
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Leandro de Castro Santos, Maria Cecilia Castoldi Diavão (2026). Complicações Endócrinas Tardias Após Transplante Pancreático. Nursing Edição Brasileira. https://doi.org/10.36489/nursing.2026v32i340p17214-17218
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Themen, Förderung und Nutzung
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