Vollständiger Abstract
Worum geht es in dieser Arbeit?
A infância constitui um período do ciclo vital caracterizado por intensa plasticidade cerebral e extrema dependência de um ambiente estável e protetor para o pleno desenvolvimento neuropsicomotor, cognitivo e emocional. No cenário geopolítico e humanitário contemporâneo, fluxos migratórios massivos e deslocamentos forçados decorrentes de conflitos armados, crises socioeconômicas crônicas e perseguições políticas têm exposto milhões de indivíduos a condições severas de vulnerabilidade, afetando de maneira desproporcional a população infanto-juvenil. O processo de migração e refúgio impõe uma desestruturação abrupta da rotina, a perda de referenciais comunitários e a exposição repetida a eventos potencialmente traumáticos antes, durante e após o deslocamento geográfico. Embora historicamente a atenção humanitária imediata permaneça concentrada no suporte logístico de abrigo e nutrição física basal, os reflexos do sofrimento psíquico acumulado sobre a estrutura psíquica dessas crianças continuam a manifestar-se de forma avassaladora na prática médica, psicológica e de assistência social mundial e brasileira. Diante da necessidade premente de consolidar e integrar as evidências científicas nacionais sobre as nuances diagnósticas e psicopatológicas enfrentadas por esse grupo vulnerável de menores no cenário assistencial do Brasil, este estudo foi delineado. O objetivo central desta revisão sistemática é analisar o estado da saúde mental de crianças refugiadas e migrantes, identificando os principais transtornos psiquiátricos secundários associados, os mecanismos neurobiológicos e psicossociais de estresse envolvidos e os desfechos após intervenções de acolhimento específicas. Os resultados demonstram que aproximadamente metade dos menores refugiados e migrantes exibe escores clínicos para transtorno de estresse pós-traumático, transtorno depressivo maior e desordens de ansiedade difusa, manifestações fortemente potencializadas pelo luto migratório, pela discriminação institucional, pela barreira linguística severa e pela desregulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal decorrente do estresse psicológico crônico acumulado. Conclui-se que o comprometimento da saúde mental em crianças refugiadas e migrantes constitui uma crise humanitária de saúde pública de proporções duradouras, demandando uma urgente mudança de paradigma assistencial que institua protocolos de triagem psiquiátrica precoce nas redes de atenção primária e promova uma articulação coordenada e interdisciplinar entre governos, escolas e serviços de saúde mental para implementar estratégias de acolhimento e resgatar a autonomia funcional, o bem-estar e a dignidade dessa geração de sobreviventes.
Bibliografischer Nachweis
Publikationsdaten
- Autor:innen
- Enzo Augusto Tratz Martins, Evelyn Schwengber, João Victor Pinto de Paiva, Maria Eduarda Magalhães Costa
- Quelle
- Nursing Edição Brasileira
- Publikation
- 2026-01-01
- Band / Ausgabe
- Nicht angegeben
- Seiten
- Nicht angegeben
- ISSN / ISBN
- 2675-049X, 1415-8264
- Zitationen
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Enzo Augusto Tratz Martins, Evelyn Schwengber, João Victor Pinto de Paiva, Maria Eduarda Magalhães Costa (2026). Saúde Mental de Crianças Refugiadas e Migrantes. Nursing Edição Brasileira. https://doi.org/10.36489/nursing.2026v32i340p20885-20890
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Themen, Förderung und Nutzung
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