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A diarreia crônica configura-se como um dos desafios diagnósticos mais complexos e recorrentes na gastroenterologia brasileira, exercendo um impacto severo sobre a capacidade funcional, o estado nutricional e a qualidade de vida global dos pacientes. Caracterizada pelo aumento da frequência evacuatória, diminuição da consistência fecal ou volume de fezes superior a 200 gramas por dia por um período mínimo de quatro semanas, sua investigação clínica convencional costuma priorizar causas infecciosas, parasitárias, inflamatórias e disabsortivas clássicas. Contudo, a má absorção de ácidos biliares (MAB), também denominada diarreia induzida por ácidos biliares, permanece como uma entidade nosológica sistematicamente subdiagnosticada no país, embora estudos estimem que ela responda por até um terço dos casos previamente rotulados como síndrome do intestino irritável com predomínio de diarreia (SII-D). O excesso de ácidos biliares que escapa à reabsorção ileal fisiológica atinge o cólon em concentrações elevadas, onde atua como um potente promotor de secreção de água e eletrólitos, além de acelerar a motilidade colônica. Diante da necessidade premente de consolidar as evidências científicas nacionais sobre as bases fisiopatológicas e as consequências clínicas desse distúrbio no cenário epidemiológico do Brasil, este estudo tem como objetivo analisar e sintetizar, por meio de uma revisão sistemática da literatura biomédica e médica brasileira, o papel dos ácidos biliares na fisiopatologia da diarreia crônica e suas respectivas implicações no manejo clínico. Para cumprir esse propósito, realizou-se um levantamento metodológico estruturado guiado pelas recomendações PRISMA nas bases de dados eletrônicas SciELO, LILACS e PubMed por artigos de autoria nacional e consensos brasileiros publicados na última década (2016-2026). Os resultados indicam que a etiologia da MAB divide-se em tipo 1 (secundária a ressecções ileais ou doença de Crohn ileal), tipo 2 (idiopática ou primária) e tipo 3 (secundária a outras condições gastroenterológicas, como colecistectomia, sobrecrescimento bacteriano no intestino delgado ou pancreatite crônica). Clinicamente, o distúrbio associa-se ao desenvolvimento de diarreia aquosa crônica, dor abdominal do tipo cólica, urgência fecal e esteatorreia leve. Conclui-se que o rastreamento rotineiro desse agravo na atenção secundária por meio de testes terapêuticos com sequestradores de ácidos biliares (como a colestiramina) constitui uma intervenção preventiva indispensável para evitar propedêuticas invasivas desnecessárias, mitigar o sofrimento gastrointestinal e qualificar a sobrevida da população nacional.
Bibliografischer Nachweis
Publikationsdaten
- Autor:innen
- Claudine Kênnia de Almeida Cezário, Leticia Chaves Lopes, Mariana Danilevicz Guarise, Milena Gomes Pereira
- Quelle
- Nursing Edição Brasileira
- Publikation
- 2026-01-01
- Band / Ausgabe
- Nicht angegeben
- Seiten
- Nicht angegeben
- ISSN / ISBN
- 2675-049X, 1415-8264
- Zitationen
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Claudine Kênnia de Almeida Cezário, Leticia Chaves Lopes, Mariana Danilevicz Guarise, Milena Gomes Pereira (2026). Papel dos Ácidos Biliares na Diarreia Crônica. Nursing Edição Brasileira. https://doi.org/10.36489/nursing.2026v32i340p20208-20213
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