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As doenças cardiovasculares (DCV), representadas proeminentemente pela doença arterial coronariana (DAC), permanecem como a principal causa de morbimortalidade global e nacional, impondo um fardo socioeconômico e assistencial substancial ao sistema de saúde brasileiro. Tradicionalmente, a estratificação de risco para eventos isquêmicos agudos apoiava-se em escores clínicos populacionais — como o escore de risco global de Framingham ou o escore de risco por tabelas nacionais —, que, embora de fácil aplicação, apresentam limitações conhecidas na identificação de aterosclerose subclínica em pacientes categorizados como de risco intermediário ou baixo-intermediário. Diante dessa lacuna diagnóstica, a tomografia computadorizada cardiovascular emergiu como uma ferramenta não invasiva revolucionária, atuando tanto de forma quantitativa rápida (escore de cálcio coronariano - EC) quanto por meio da caracterização anatômica e funcional detalhada (angiotomografia de artérias coronárias - ATC). O presente estudo tem como objetivo realizar uma revisão sistemática da literatura científica brasileira para analisar e consolidar o papel da tomografia coronariana na estratificação de risco cardiovascular. Conduzida sob o rigor metodológico das diretrizes do protocolo PRISMA, a busca de artigos originais abrangeu publicações indexadas nas bases de dados eletrônicas SciELO, LILACS e PubMed, veiculadas entre janeiro de 2018 e julho de 2026. Os resultados revelam que a ausência de calcificação coronariana (EC igual a zero) confere um excelente prognóstico em médio e longo prazo, funcionando como um importante "poder do zero" para desescalonar a terapia farmacológica profilática de forma segura. Em contrapartida, valores elevados de EC ou a detecção por ATC de placas ateroscleróticas de alto risco — caracterizadas por remodelamento positivo, baixa atenuação interna, sinal do "napkin-ring sign" (anel de guardanapo) e calcificações puntiformes — predizem eventos coronarianos agudos de forma independente de fatores de risco tradicionais. Conclui-se que a tomografia coronariana representa um pilar indispensável para a consolidação da cardiologia preventiva de precisão no Brasil, embora barreiras relacionadas à necessidade de padronização nas doses de radiação ionizante e à equalização do acesso regional ao método demandem atenção estratégica contínua.
Bibliografischer Nachweis
Publikationsdaten
- Autor:innen
- Eduardo Araujo de Frias, Nicole Costa Varela, Virgínia Gouveia Furtado Cavalcante
- Quelle
- Nursing Edição Brasileira
- Publikation
- 2026-01-01
- Band / Ausgabe
- Nicht angegeben
- Seiten
- Nicht angegeben
- ISSN / ISBN
- 2675-049X, 1415-8264
- Zitationen
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- 0 hinterlegt
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Eduardo Araujo de Frias, Nicole Costa Varela, Virgínia Gouveia Furtado Cavalcante (2026). Papel da Tomografia Coronariana na Estratificação de Risco Cardiovascular. Nursing Edição Brasileira. https://doi.org/10.36489/nursing.2026v32i340p20142-20147
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