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O transplante renal é amplamente reconhecido como a intervenção terapêutica de escolha para pacientes portadores de insuficiência renal crônica terminal, proporcionando taxas superiores de sobrevida e restabelecendo de forma expressiva a qualidade de vida em relação aos métodos dialíticos convencionais. Contudo, a manutenção da integridade funcional e a longevidade do enxerto a longo prazo dependem estritamente da administração ininterrupta e precisa de regimes farmacológicos imunossupressores complexos, que evitam de forma ativa o reconhecimento imunológico e a rejeição do órgão pelo hospedeiro. Nesse contexto, a não adesão ao tratamento medicamentoso destaca-se como uma das principais causas preveníveis de perda do enxerto e de desenvolvimento de disfunção imune silenciosa após o primeiro ano do procedimento cirúrgico. Diante dessa problemática clínica e comportamental que desafia a eficiência da medicina de transplantes, o objetivo desta revisão sistemática de literatura foi analisar as principais evidências científicas brasileiras sobre o impacto da adesão terapêutica nos desfechos do transplante renal, avaliando a prevalência de não adesão, os fatores de risco associados, os métodos de diagnóstico comportamental e as consequências clínicas para o receptor no cenário nacional. A busca sistemática de dados foi conduzida de forma estruturada nas bases eletrônicas SciELO, LILACS e no Portal de Periódicos CAPES, identificando ensaios clínicos, estudos de coorte e avaliações comportamentais no país. Os resultados demonstraram que a prevalência de não adesão medicamentosa em transplantados renais brasileiros varia de 15% a 35%, exercendo impacto direto no aumento das taxas de rejeição aguda mediada por anticorpos e no desenvolvimento acelerado de nefropatia crônica do enxerto. Adicionalmente, identificou-se que a complexidade posológica, os efeitos colaterais das drogas, o baixo nível socioeconômico e a carência de suporte psicossocial são os principais preditores para o comportamento de não adesão. Conclui-se que o investimento em intervenções multidisciplinares integradas, o fomento à simplificação posológica e o acompanhamento longitudinal focado na educação em saúde constituem estratégias de primeira linha indispensáveis para otimizar os índices de adesão, atenuar as taxas de perda crônica do enxerto e garantir a segurança do transplantado no Brasil. Abstract: Kidney transplantation is widely recognized as the therapeutic intervention of choice for patients with end-stage renal disease, providing superior survival rates and significantly restoring quality of life compared to conventional dialytic methods. However, the maintenance of functional integrity and the long-term longevity of the graft strictly depend on the uninterrupted and precise administration of complex immunosuppressive pharmacological regimens, which actively prevent immunological recognition and organ rejection by the host. In this context, non-adherence to drug treatment stands out as one of the primary preventable causes of graft loss and the development of silent immune dysfunction after the first year of the surgical procedure. Given this clinical and behavioral problem that challenges the efficiency of transplant medicine, the objective of this systematic literature review was to analyze the main Brazilian scientific evidence regarding the impact of therapeutic adherence on kidney transplant outcomes, evaluating the prevalence of non-adherence, associated risk factors, methods of behavioral diagnosis, and clinical consequences for the recipient in the national setting. The systematic data search was conducted in a structured manner in the SciELO, LILACS, and CAPES Journals Portal databases, identifying clinical trials, cohort studies, and behavioral evaluations in the country. The results demonstrated that the prevalence of drug non-adherence in Brazilian kidney transplant recipients ranges from 15% to 35%, exerting a direct impact on increasing rates of antibody-mediated acute rejection and the accelerated development of chronic graft nephropathy. Additionally, it was identified that dosage complexity, drug side effects, low socioeconomic status, and lack of psychosocial support are the primary predictors of non-adherence behavior. It is concluded that investment in integrated multidisciplinary interventions, the promotion of dosage simplification, and longitudinal monitoring focused on health education constitute indispensable first-line strategies to optimize adherence rates, mitigate chronic graft loss, and guarantee patient safety in Brazil. Keywords: Kidney transplantation; Medication adherence; Immunosuppression; Graft loss; Health education; Multidisciplinary team. Resumen: El trasplante renal es ampliamente reconocido como la intervención terapéutica de elección para pacientes con insuficiencia renal crónica terminal, proporcionando tasas superiores de supervivencia y restableciendo de forma significativa la calidad de vida en comparación con los métodos dialíticos convencionales. Sin embargo, el mantenimiento de la integridad funcional y la longevidad del injerto a largo plazo dependen estrictamente de la administración ininterrumpida y precisa de regímenes farmacológicos inmunosupresores complejos, que evitan de forma activa el reconocimiento inmunológico y el rechazo del órgano por parte del huésped. En este contexto, la falta de adherencia al tratamiento farmacológico se destaca como una de las principales causas prevenibles de pérdida del injerto y del desarrollo de disfunción inmunitaria silenciosa después del primer año del procedimiento quirúrgico. Ante esta problemática clínica y conductual que desafía la eficiencia de la medicina de trasplantes, el objetivo de esta revisión sistemática de la literatura fue analizar las principales evidencias científicas brasileñas sobre el impacto de la adherencia terapéutica en los resultados del trasplante renal, evaluando la prevalencia de la falta de adherencia, los factores de riesgo asociados, los métodos de diagnóstico conductual y las consecuencias clínicas para el receptor en el escenario nacional. La búsqueda sistemática de datos se realizó de forma estructurada en las bases electrónicas SciELO, LILACS y el Portal de Periódicos CAPES, identificando ensayos clínicos, estudios de cohorte y evaluaciones conductuales en el país. Los resultados demostraron que la prevalencia de la falta de adherencia farmacológica en receptores de trasplante renal brasileños varía del 15% al 35%, ejerciendo un impacto directo en el aumento de las tasas de rechazo agudo mediado por anticuerpos y el desarrollo acelerado de nefropatía crónica del injerto. Adicionalmente, se identificó que la complejidad dosificatoria, los efectos secundarios de los fármacos, el bajo nivel socioeconómico y la falta de apoyo psicosocial son los principales predictores de la conducta de falta de adherencia. Se concluye que la inversión en intervenciones multidisciplinarias integradas, el fomento de la simplificación dosificatoria y el seguimiento longitudinal centrado en la educación en salud constituyen estrategias de primera línea indispensables para optimizar las tasas de adherencia, mitigar la pérdida crónica del injerto y garantizar la seguridad del paciente trasplantado en Brasil. Palabras clave: Trasplante renal; Adherencia a la medicación; Inmunosupresión; Pérdida del injerto; Educación en salud; Equipo multidisciplinario.
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Publikationsdaten
- Autor:innen
- Maraiza Cristina da Silva Pereira, Paulo Egildo Gomes de Carvalho
- Quelle
- Nursing Edição Brasileira
- Publikation
- 2026-01-01
- Band / Ausgabe
- Nicht angegeben
- Seiten
- Nicht angegeben
- ISSN / ISBN
- 2675-049X, 1415-8264
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Maraiza Cristina da Silva Pereira, Paulo Egildo Gomes de Carvalho (2026). Impacto da Adesão Terapêutica nos Desfechos do Transplante Renal. Nursing Edição Brasileira. https://doi.org/10.36489/nursing.2026v32i340p18759-18763
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