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As distonias primárias ou idiopáticas compreendem um grupo heterogêneo de distúrbios do movimento de caráter neurológico, caracterizados por contrações musculares involuntárias, sustentadas ou intermitentes, que culminam em movimentos torcionais repetitivos, posturas anômalas e dor física incapacitante. Esta condição promove um declínio severo na funcionalidade motora global do indivíduo, gerando elevado estigma social, depressão secundária e prejuízo drástico em todas as atividades básicas de vida diária. Quando as abordagens terapêuticas farmacológicas sistêmicas e as aplicações periódicas locais de toxina botulínica mostram-se insuficientes ou limitadas por efeitos colaterais severos, a neurocirurgia funcional estabelece-se como o principal pilar de manejo reconstrutivo. O advento e a consolidação da cirurgia de estimulação cerebral profunda (DBS – Deep Brain Stimulation) modificaram de forma proeminente o prognóstico de longo prazo desses doentes refratários. Contudo, persiste um debate científico dinâmico na literatura neurocirúrgica e neurológica sobre a superioridade clínica e a segurança comparativa de seus dois principais alvos anatômicos subcorticais de implante: o segmento interno do globo pálido (GPi) e o núcleo subtalâmico (STN). Diante dessa relevância clínica, o objetivo desta revisão sistemática de literatura foi analisar e comparar a eficácia motora, o perfil de complicações neuropsiquiátricas e cognitivas, os parâmetros de programação elétrica de estimulação e os desfechos funcionais associados ao implante de DBS em alvos GPi frente ao STN no tratamento das distonias primárias, mapeando de forma rigorosa as evidências científicas publicadas no Brasil. A busca de dados foi conduzida de forma estruturada nas bases de dados eletrônicas SciELO, LILACS e no Portal de Periódicos CAPES, selecionando ensaios clínicos, estudos de coorte retrospectivos e revisões de diretrizes de sociedades médicas nacionais de neurocirurgia funcional e distúrbios do movimento. Os resultados demonstraram de forma consensual que ambos os alvos promovem reduções robustas e sustentadas superiores a 50% na escala de avaliação de distonia de Burke-Fahn-Marsden (BFMDRS). Adicionalmente, identificou-se que o alvo GPi consolida-se como o padrão-ouro tradicional devido à sua excelente segurança cognitiva e psiquiátrica de repouso, enquanto o STN destaca-se pela possibilidade de redução mais acentuada nos parâmetros de energia da bateria, gerando menor necessidade de trocas de gerador, porém associando-se a maior vulnerabilidade para distúrbios de humor transitórios no pós-operatório. Conclui-se que tanto o GPi quanto o STN representam alvos cirúrgicos altamente eficazes e seguros para o manejo de longa duração da distonia primária no Brasil, devendo a seleção de cada alvo ser rigorosamente individualizada de acordo com o perfil neuropsicológico basal e a infraestrutura local de suporte continuado ao doente.
Bibliografischer Nachweis
Publikationsdaten
- Autor:innen
- João Pedro Gonçalves Costa, Thainá de Sousa Pinto
- Quelle
- Nursing Edição Brasileira
- Publikation
- 2026-01-01
- Band / Ausgabe
- Nicht angegeben
- Seiten
- Nicht angegeben
- ISSN / ISBN
- 2675-049X, 1415-8264
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João Pedro Gonçalves Costa, Thainá de Sousa Pinto (2026). Estimulação Cerebral Profunda (dbs) para Distonias Primárias: Alvos Gpi Vs. Stn. Nursing Edição Brasileira. https://doi.org/10.36489/nursing.2026v32i340p18219-18223
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