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Diabetes Secundário a Doenças Pancreáticas: Aspectos Clínicos e Diagnósticos

Lucas Oliveira de Paula, Viviane Harue Higa

Nursing Edição Brasileira · 2026

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O avanço da endocrinologia metabólica, da gastroenterologia e da patologia clínica no Brasil tem evidenciado a complexa correlação entre a integridade estrutural do parênquima pancreático e a homeostase glicêmica. O pâncreas é um órgão de dupla função fisiológica, cujos compartimentos exócrino e endócrino compartilham uma microcirculação íntima e vias de sinalização celular integradas. Em pacientes acometidos por afecções pancreáticas primárias, como pancreatite crônica, pancreatite aguda recorrente, neoplasias de pâncreas, fibrose cística e hemocromatose, a destruição progressiva ou súbita do tecido glandular culmina no desenvolvimento de uma forma específica de intolerância à glicose. Esse distúrbio, classificado pela Organização Mundial da Saúde como diabetes mellitus tipo 3c (DM3c) ou diabetes pancreatogênico, representa um cenário clínico desafiador e de alta complexidade patofisiológica que continua a ser amplamente subdiagnosticado no cenário médico brasileiro. Embora o diabetes mellitus tipo 2 domine as triagens e os fluxos de atendimento das redes de saúde do país, o DM3c apresenta uma assinatura bioquímica e clínica singular, marcada não apenas pela perda de células beta produtoras de insulina, mas também pelo colapso síncrono das células alfa e PP, resultando na ausência de glucagon e do polipeptídeo pancreático, o que propõe uma instabilidade glicêmica extrema de difícil manejo terapêutico. Diante da necessidade premente de consolidar e uniformizar as evidências científicas nacionais sobre os critérios diagnósticos específicos, os mecanismos moleculares adaptativos e as armadilhas propedêuticas vigentes no país, este estudo tem como objetivo analisar e sintetizar, por meio de uma revisão sistemática da literatura médica e biomédica brasileira, o diabetes secundário a doenças pancreáticas, abordando seus aspectos clínicos e diagnósticos. Para cumprir esse propósito, realizou-se um levantamento metodológico estruturado baseado nas diretrizes PRISMA nas bases de dados eletrônicas SciELO, LILACS e PubMed por artigos originais brasileiros e consensos clínicos nacionais publicados na última década (2016-2026). Os resultados revelam que o diagnóstico definitivo do DM3c exige a comprovação de insuficiência exócrina concomitante (por meio da elastase fecal-1 reduzida), imagem pancreática estrutural alterada e ausência de autoanticorpos típicos do diabetes tipo 1. Conclui-se que a triagem ativa e a aplicação sistemática de algoritmos diagnósticos integrados na atenção secundária e terciária do Sistema Único de Saúde constituem intervenções preventivas indispensáveis para otimizar o prognóstico terapêutico, mitigar episódios de hipoglicemias graves e qualificar a sobrevida e a saúde global da população acometida no território nacional.

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Publikationsdaten

Autor:innen
Lucas Oliveira de Paula, Viviane Harue Higa
Quelle
Nursing Edição Brasileira
Publikation
2026-01-01
Band / Ausgabe
Nicht angegeben
Seiten
Nicht angegeben
ISSN / ISBN
2675-049X, 1415-8264
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Lucas Oliveira de Paula, Viviane Harue Higa (2026). Diabetes Secundário a Doenças Pancreáticas: Aspectos Clínicos e Diagnósticos. Nursing Edição Brasileira. https://doi.org/10.36489/nursing.2026v32i340p17594-17599
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