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A doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica (MASLD), anteriormente designada como doença hepática gordurosa não alcoólica, emergiu como a desordem hepatológica crônica de maior prevalência na medicina contemporânea, afetando proporções alarmantes da população em quase todo o território brasileiro. Caracterizada pelo acúmulo patológico de triglicerídeos no interior dos hepatócitos em indivíduos com evidências clínicas de desordens metabólicas (como obesidade visceral, diabetes mellitus tipo dois e dislipidemia), a MASLD apresenta um curso evolutivo crônico e heterogêneo. Este espectro patológico estende-se desde a esteatose hepática simples inicial até quadros inflamatórios graves de esteato-hepatite associada à disfunção metabólica (MASH), fibrose hepática progressiva e cirrose definitiva. Contudo, evidências epidemiológicas e translacionais recentes da radiologia intervencionista e da gastroenterologia indicam que as repercussões sistêmicas da MASLD transcendem o território hepático. O acúmulo lipídico tecidual atua como um potente promotor extracelular de neoplasias malignas em outros sítios anatômicos viscerais profundos, com destaque para as neoplasias colorretais (NCR). A dor, as manifestações inflamatórias sistêmicas de baixa intensidade e a disfunção de eixos endócrinos que caracterizam os estágios avançados da fibrose hepática correlacionam-se de forma direta com o aumento do risco probabilístico de carcinogênese epitelial no trato gastrointestinal inferior. Historicamente, o rastreamento profilático por colonoscopia baseava-se estritamente na idade cronológica da paciente ou em históricos familiares isolados; contudo, essa abordagem tradicional falha em capturar o impacto da síndrome metabólica na génese das lesões precursoras adenomatosas colonocíticas. O presente estudo tem como objetivo realizar uma revisão sistemática da literatura científica produzida por pesquisadores brasileiros para mapear, analisar e consolidar a associação entre a gravidade histológica da MASLD e o risco de desenvolvimento de neoplasias colorretais no cenário de saúde nacional. Trata-se de uma revisão sistemática de literatura planejada e executada sob o estrito rigor metodológico recomendado pelas diretrizes globais do protocolo PRISMA, investigando produções indexadas nas bases eletrônicas SciELO, LILACS e PubMed publicadas entre os anos de 2018 e 2026. Os resultados indicam que a transição de esteatose simples para MASH e a presença de fibrose hepática avançada quantificada por biomarcadores não invasivos elevam de forma estatisticamente significativa a detecção de adenomas avançados e NCR na colonoscopia de rastreamento, demonstrando um claro sinergismo fisiopatológico de interdependência celular e estresse oxidativo. Conclui-se que a estratificação integrada da gravidade hepática representa um pilar indispensável para consolidar a oncologia preventiva de precisão no Brasil, exigindo esforços integrados das políticas públicas para incorporar exames de elastografia e ultrassonografia diagnóstica e combater as disparidades de infraestrutura tecnológica regional na rede do Sistema Único de Saúde (SUS).
Bibliografischer Nachweis
Publikationsdaten
- Autor:innen
- Maria Clara Gosson Elias, Rebeca Born Vinholes
- Quelle
- Nursing Edição Brasileira
- Publikation
- 2026-01-01
- Band / Ausgabe
- Nicht angegeben
- Seiten
- Nicht angegeben
- ISSN / ISBN
- 2675-049X, 1415-8264
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Maria Clara Gosson Elias, Rebeca Born Vinholes (2026). Associação Entre a Gravidade da Doença Hepática Gordurosa Associada à Disfunção Metabólica e o Risco de Neoplasia Colorretal. Nursing Edição Brasileira. https://doi.org/10.36489/nursing.2026v32i340p16632-16637
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